Sempre reclamei dos ônus da gestação e da maternidade, e sempre me criticavam. Escutei mil julgamentos do tipo Pra que engravidou então? Credo, o nenê sente que vc não está feliz, vai afetar o crescimento dele… E por aí vai.

A parte linda todo mundo fala mas a parte obscura é tipo um tabu. Não pode falar o que realmente sente porque senão você é “menos mãe”. Na gestação da Alice sofri muito com meus pensamentos. Não estava sentindo aquele amor maluco que a gente vê as pessoas falando que sentem. Uma amiga querida me falou uma coisa que guardei com carinho “Carol é por isso que leve 9 meses. É pra vc se habituar com a ideia de que terá um bebê. É como qualquer relacionamento, amor é construído dia após dia. Deixa sua bebê nascer.” Estava feliz com minha bebê a caminho mas impossível ser plenamente feliz enjoando 24h/dia nas 36 semanas de gestação. Inchaço, noites sem posição para dormir, pressão subindo e tinha que estar feliz? Afff quanta cobrança. Deixa eu reclamar um pouco!!!

Aí a Alice nasceu… Amamentação. OMG!!!! Cadê aquele momento lindo entre mãe e filha???? Peito dói, vaza, sangra. E as pessoas insistem em dizer que é um momento mágico? Como? Pq estou sendo diferente de todo mundo? Achava um saco amamentar mas amamentei por 1 ano porque sabia que era melhor para ela. Mas sempre foi bem longe de ser um momento mágico. O sentido da amamentação é mágico mas o ato é diferente… E com a Olivia não foi diferente em nada. E assim coleciono mais julgamentos.

Agora cuidando sozinha das duas (marido passa a semana em outra cidade e vem nos fds) é mais difícil. Vivo num mundo infantil só nosso. Músicas, coreografias, desenhos, histórias só para crianças de até 5 anos. Às vezes o que eu quero é assistir o Jornal (mesmo com toda a desgraça política do país). Na verdade quero é viver um pouco como uma mulher de 34 anos. Mas de que jeito?  Ficar em casa cuidando das meninas foi uma opção (quase um luxo). Não sei se daria conta se trabalhasse fora. Mas quem trabalha fora, tem os problemas do trabalho que ficam lá no trabalho. Eu não tiro férias do “meu trabalho”. Vivo enroscada com meu trabalho. É uma delícia acompanhar todo o desenvolvimento delas mas parece que eu não me desenvolvo mais, entendem? Peppa não é muito educativo hahahaha

E a culpa materna vai me acompanhar para sempre… (iria me acompanhar se estivesse trabalhando fora também). Mas tento ser leve comigo e com as meninas. E parece estar funcionando. Estou mais calma e reflete nelas. Até as birras estou mais tolerante. Mesmo a criança da mãe perfeita faz birra, imagina se as minhas não fariam?!

E tudo vai ficando mais leve. Me assumindo com minhas imperfeições. Faço e sou o melhor para elas. 21557773_10155679630159253_3661202338638356616_n

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